A Visa iniciou, em 20 de outubro de 2026, um piloto ao vivo para testar agentes de inteligência artificial na execução de pagamentos entre empresas. A iniciativa é realizada em parceria com a BILL, fornecedora de soluções para contas a pagar e a receber, e com a Billtrust, especializada em pagamentos e cobrança no mercado B2B.
O projeto permite que agentes autorizados atuem em nome de compradores para iniciar e concluir o pagamento de faturas em plataformas de fornecedores. A proposta desloca os agentes de IA de tarefas internas, como organizar informações ou apoiar equipes financeiras, para uma função mais próxima da execução de uma operação financeira previamente aprovada.
Segundo o comunicado da Visa Investor Relations, o piloto utiliza o Visa Trusted Agent Protocol para autenticar agentes de IA nos portais de fornecedores. O mecanismo busca estabelecer uma camada de confiança entre o agente, as plataformas envolvidas e os participantes da transação.
Como funciona o piloto da Visa
Em uma operação tradicional, o pagamento de uma fatura pode exigir a conferência de dados, o acesso a um portal, etapas de autenticação e a confirmação manual por parte de profissionais de contas a pagar. No modelo em teste, um agente autorizado pode executar essas etapas conforme permissões e instruções definidas pelo comprador.
A automação não significa, de acordo com a proposta apresentada pela Visa, a retirada dos fornecedores do processo. Eles continuam com mecanismos de controle e supervisão sobre os pagamentos recebidos. Essa característica é relevante porque a operação envolve duas pontas: a empresa que autoriza o desembolso e a organização que disponibiliza a fatura e recebe os recursos.
A BILL participa do piloto a partir de sua atuação em processos de contas a pagar e contas a receber. Já a Billtrust contribui com sua especialização em pagamentos e cobrança B2B. A conexão entre essas empresas e a infraestrutura da Visa cria um ambiente de teste para avaliar como agentes podem navegar por plataformas corporativas distintas sem depender da mesma interface ou de intervenção humana em cada etapa.
A página de comunicados da Visa registra o anúncio de 20 de outubro de 2026 dentro da agenda recente da companhia relacionada a pagamentos digitais e inteligência artificial. O piloto, portanto, é apresentado como uma aplicação prática de agentes em uma atividade financeira, e não apenas como uma ferramenta experimental de atendimento ou análise.
Segurança e responsabilidade entram no centro do debate
Quando um agente de IA apenas recomenda uma ação, a decisão final permanece claramente com uma pessoa ou empresa. Em um pagamento B2B, porém, o agente passa a participar da execução de uma obrigação financeira. Isso torna essenciais a autenticação da identidade do agente, a definição de limites de autorização e o registro das etapas realizadas durante a transação.
Também surgem questões sobre responsabilidade em caso de erro. Um agente pode interpretar incorretamente uma instrução, selecionar uma fatura inadequada ou operar com informações desatualizadas. Por isso, o uso corporativo exige mecanismos de supervisão, confirmação e rastreabilidade que permitam identificar o que foi autorizado, qual ação foi executada e em que momento ocorreu cada etapa.
Outro desafio está na prevenção contra fraudes. A ampliação do acesso automatizado a portais de fornecedores pode aumentar a eficiência, mas também exige cuidado para impedir que credenciais, instruções ou permissões sejam utilizadas de forma indevida. A autenticação prevista no Visa Trusted Agent Protocol aparece, nesse contexto, como parte da infraestrutura destinada a diferenciar agentes autorizados de acessos não confiáveis.
Para fintechs, bancos digitais, empresas de tecnologia financeira e plataformas de gestão, o teste sinaliza uma possível mudança na forma como pagamentos corporativos serão integrados. Em vez de apenas conectar sistemas ou apresentar informações, as aplicações poderão executar tarefas entre diferentes ambientes, desde que existam regras claras de autorização e controle.
O piloto ainda não representa a adoção ampla desse modelo em todos os pagamentos B2B. O resultado dependerá da capacidade de combinar automação, segurança e supervisão em situações reais. A experiência da Visa com BILL e Billtrust permitirá observar como agentes de IA se comportam em fluxos de faturamento e pagamento que envolvem compradores, fornecedores e diferentes plataformas tecnológicas.

