Um consórcio formado por Sicoob, Sicredi, Cresol, Ailos e Unicred realizou a primeira transferência interbancária com Drex em parceria com o Banco do Brasil. A operação ocorreu em 17 de agosto de 2026 e foi divulgada pelo Sicoob em 11 de setembro do mesmo ano.
De acordo com o Sicoob, a transação envolveu a transferência de tokens Drex entre as reservas das entidades participantes. A movimentação foi realizada por meio das carteiras digitais utilizadas no ambiente de testes do projeto, sem representar uma operação disponível para consumidores ou empresas no mercado aberto.
O episódio integra o Piloto Drex, iniciativa coordenada pelo Banco Central do Brasil para avaliar, em ambiente controlado, diferentes possibilidades de uso da moeda digital brasileira. Entre os testes estão operações de emissão, transferência e resgate de ativos e recursos representados digitalmente.
Como foi realizada a operação com Drex
A operação reuniu instituições do sistema financeiro cooperativo em uma mesma experiência de infraestrutura digital. Nesse modelo, os participantes utilizam carteiras digitais conectadas ao ambiente de testes para movimentar tokens e simular transações entre entidades distintas.
Na prática, a transferência interbancária com Drex permite observar como recursos podem circular entre reservas de instituições financeiras utilizando uma rede baseada em tecnologia de registro distribuído. O procedimento também ajuda a verificar etapas como autorização, registro e liquidação das operações realizadas entre os participantes.
A presença do Banco do Brasil na iniciativa amplia a abrangência do teste, ao conectar o consórcio de cooperativas a uma instituição bancária de grande porte. O objetivo, conforme a divulgação do Sicoob, é avaliar a interação entre diferentes organizações dentro da infraestrutura proposta para o Drex.
Por que transferências entre instituições são relevantes
As transferências interbancárias estão entre os casos de uso mais importantes para avaliar uma infraestrutura de moeda digital de banco central. Isso ocorre porque operações desse tipo dependem de regras comuns, comunicação segura entre participantes e mecanismos capazes de registrar a movimentação dos ativos de forma coordenada.
Ao testar a transferência de tokens entre reservas, o Piloto Drex examina como instituições distintas podem operar em uma rede compartilhada. A experiência também pode contribuir para o desenvolvimento de produtos financeiros programáveis, nos quais determinadas condições sejam executadas automaticamente por meio de contratos inteligentes, embora a pauta não indique a disponibilização comercial desses recursos.
Para o sistema cooperativo, a participação no projeto representa uma oportunidade de testar soluções digitais em conjunto. Sicoob, Sicredi, Cresol, Ailos e Unicred reúnem instituições com atuação em diferentes regiões do Brasil, o que dá ao experimento uma dimensão relevante para a avaliação de modelos de integração entre cooperativas.
O que o teste representa para o Drex
O Drex está sendo desenvolvido pelo Banco Central como uma representação digital da moeda brasileira, dentro de uma infraestrutura voltada à liquidação de operações financeiras. O Banco Central do Brasil conduz o piloto para analisar aspectos técnicos e operacionais antes de qualquer eventual ampliação do uso da plataforma.
Por isso, a transferência realizada pelo consórcio não deve ser interpretada como o lançamento de um serviço de pagamentos ou como a liberação do Drex para uso cotidiano. O ambiente permanece restrito aos participantes autorizados e tem finalidade experimental, com foco na avaliação da tecnologia, dos processos e da interação entre instituições.
Os resultados desses testes podem ajudar a identificar desafios relacionados à governança da rede, à segurança das carteiras digitais, à integração entre sistemas e ao cumprimento das regras aplicáveis ao sistema financeiro. Também podem orientar futuras discussões sobre novos serviços baseados em ativos digitais e operações programáveis.
Participação das cooperativas na inovação financeira
A iniciativa mostra que as cooperativas financeiras também participam da agenda de tokenização e modernização da infraestrutura bancária. Ao lado de bancos e empresas de tecnologia, essas instituições buscam compreender como novas ferramentas podem ser incorporadas às operações financeiras sem perder os requisitos de controle, rastreabilidade e segurança.
Como a operação ainda está limitada ao Piloto Drex, não é possível afirmar quais produtos ou serviços serão oferecidos futuramente ao público. O resultado divulgado, no entanto, demonstra a realização de uma etapa concreta de experimentação: diferentes instituições conseguiram simular uma transferência de tokens entre suas reservas dentro do ambiente coordenado pelo Banco Central.

