Conforme Paulo Roberto Gomes Fernandes, durante dois dias de audiências realizadas nos Estados Unidos, integrantes da Tribo River Band, conhecidos por sua atuação ambiental, prestaram depoimentos contrários à autorização concedida pelo Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA para o redirecionamento do oleoduto da Linha 5, operado pela Enbridge. As manifestações ocorreram após a aprovação da licença para instalar um novo trecho sob o Lago Michigan e antecederam a análise final de outra licença referente ao estado de Wisconsin.
Os representantes da tribo afirmaram que alterações em um segmento do oleoduto localizado rio acima de sua reserva poderiam comprometer a qualidade da água e afetar áreas úmidas da região. No entanto, até aquele momento, não havia evidências científicas que sustentassem tais alegações, segundo documentos apresentados no processo.
Novo trecho seria instalado em túnel com tecnologia internacional
O redirecionamento da Linha 5 previa a construção de um túnel de sete quilômetros, com cinco metros de diâmetro, instalado a cerca de 30 metros abaixo do leito do Lago Michigan. O projeto incluía uma seção em declive e outra em aclive, aumentando os desafios de engenharia.
Para essa etapa, a expectativa era de utilização da tecnologia brasileira desenvolvida pela Liderroll, reconhecida internacionalmente pelo lançamento de dutos em ambientes confinados. O presidente da empresa, Paulo Roberto Gomes Fernandes, destacou que a complexidade da obra exigia soluções já aplicadas com êxito em projetos anteriores no Brasil e no exterior.
Ele afirmou que a equipe aguardava apenas a definição final na Justiça para que a Enbridge pudesse iniciar os trabalhos preparatórios do túnel. Paulo Roberto Gomes Fernandes lembrou que a tecnologia patenteada da empresa havia sido aprovada por engenheiros norte-americanos e que a companhia estava pronta para atuar de forma integrada com as equipes locais.
Debate ambiental envolveu licenças em Wisconsin
Paralelamente ao processo em Michigan, a Enbridge obteve, no ano anterior, licenças ambientais emitidas pelo Departamento de Recursos Naturais de Wisconsin, que incluiu mais de 200 condicionantes. A empresa sustentou que o redirecionamento minimizaria impactos ambientais e manteria a continuidade do abastecimento energético.

Nesse contexto, grupos da indústria e sindicatos defenderam o projeto como seguro e gerador de empregos. Já a tribo reiterou críticas ao método de instalação, alegando danos potenciais por escavações, detonações e perfurações horizontais.
Robert Blanchard, presidente da tribo, declarou que o projeto ameaçaria a bacia hidrográfica local. Contudo, representantes sindicais, como Chad Ward, argumentaram que as práticas utilizadas eram padrão em todo o país e não apresentavam riscos adicionais.
Liderroll acompanhou o processo com foco na etapa técnica
Do Brasil, Paulo Roberto Gomes Fernandes afirmou que a Liderroll se mantinha em diálogo com os envolvidos no projeto e que a empresa havia mapeado as especificações técnicas necessárias para o lançamento dos dutos dentro do túnel. O executivo ressaltou que os desafios, como o declive e aclive do trecho de 36 polegadas, já haviam sido enfrentados em obras como o túnel do Gasduc e o túnel do Gastau, ambos realizados com sucesso.
Segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, a tecnologia desenvolvida pela Liderroll permitiria uma operação precisa e segura, tornando o projeto viável mesmo diante de restrições operacionais e ambientais. Ele reiterou que a experiência acumulada pela empresa colocava o Brasil em posição de destaque nas soluções para pipelines complexos.
Próximos passos dependiam da decisão do Corpo de Engenheiros
Após as audiências, o Corpo de Engenheiros informou que continuaria recebendo manifestações públicas por 30 dias, podendo deliberar a qualquer momento. A decisão definiria se o projeto avançaria para a fase de construção.
Enquanto isso, Paulo Roberto Gomes Fernandes reforçou que a Liderroll permanecia preparada para atender à demanda técnica do empreendimento, caso fosse selecionada. A Enbridge, por sua vez, defendia que o redirecionamento da Linha 5 era essencial para segurança operacional, estabilidade econômica e continuidade do fornecimento energético na região dos Grandes Lagos.
Autor: Joann Graham

