Relatório da Taurus aponta que a arquitetura de segurança escolhida hoje pelas custodiantes pode definir se a migração para a proteção pós-quântica será possível no futuro
A instalação dos primeiros computadores quânticos operacionais do Brasil transformou uma ameaça até então distante em um problema concreto de planejamento para bancos, exchanges e empresas que custodiam ativos virtuais. Segundo relatório da empresa suíça Taurus, o ponto central não é que as novas máquinas brasileiras possam quebrar imediatamente a criptografia das blockchains, mas sim que a tecnologia escolhida hoje para guardar as chaves privadas pode determinar a velocidade, ou até a possibilidade, de uma futura migração para a segurança pós-quântica. Cointelegraph
O que motivou o alerta do setor
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação anunciou que o Centro Internacional de Computação e Tecnologias Quânticas da Paraíba vai abrigar dois computadores quânticos, com capacidades de 20 e 100 qubits, em um investimento estimado pelo governo em cerca de 150 milhões de reais. O estudo da Taurus, divulgado em junho de 2026, reforça que nenhum computador quântico existente hoje possui poder computacional suficiente para executar o algoritmo de Shor e comprometer, na prática, a criptografia de chave pública usada nas aplicações financeiras reais. CointelegraphSpaceMoney
Onde está o risco concreto para as criptomoedas
Apesar de o risco imediato ser limitado, a trajetória de desenvolvimento da tecnologia já preocupa especialistas do setor. A expectativa é que, em alguns anos, máquinas quânticas com centenas de milhares de qubits possam tornar obsoletos os padrões de segurança usados atualmente, como o ECDSA e o Schnorr no Bitcoin, e o ECDSA e o BLS no Ethereum. Em um cenário no qual uma máquina quântica se torne criptograficamente relevante, um invasor poderia, em tese, derivar uma chave privada a partir da chave pública correspondente e tentar assinar uma transação em nome do proprietário original dos ativos. SpaceMoneyCointelegraph
O relatório da Taurus concentra boa parte da análise justamente na infraestrutura técnica usada para proteger as chaves privadas dos investidores. Dois modelos dominam a proteção de chaves privadas no mercado institucional: os módulos de segurança de hardware, conhecidos como HSMs, e a computação multipartidária, chamada de MPC, sendo que cada uma dessas arquiteturas oferece um grau diferente de flexibilidade para incorporar novos algoritmos resistentes a ataques quânticos. SpaceMone
A chegada da computação quântica ao país acontece em um momento de reorganização regulatória do próprio mercado de ativos virtuais. Desde 2 de fevereiro, estão em vigor novas regras do Banco Central para o setor, que criaram, entre outras categorias, as sociedades custodiantes de ativos virtuais, passando a integrar um ambiente regulado com exigências de governança, segurança, gestão de riscos e segregação patrimonial. Cointelegraph
O Banco Central já monitora o tema de perto
A preocupação com a computação quântica não é exclusiva do setor privado. Em março, o coordenador do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central, Carlos André de Melo Alves, afirmou que a autarquia estuda tecnologias emergentes, entre elas a computação quântica, com foco principalmente em segurança, mantendo conversas com outros reguladores para compreender os efeitos dos novos padrões criptográficos sobre o sistema financeiro. A instituição já havia participado, em 2022, de um estudo em parceria com a Brazil Quantum, a Microsoft e a Fenasbac sobre a viabilidade de algoritmos resistentes a ataques quânticos voltados a elevar a segurança do próprio Pix. CointelegraphCointelegraph
Uma janela de tempo que ainda existe, mas que já pede planejamento
Especialistas internacionais do setor de custódia digital reforçam que o momento de agir é agora, mesmo sem urgência imediata. Segundo a Crypto Finance, braço de ativos digitais do Deutsche Börse Group, as instituições que tratarem a preparação contra ameaças da computação quântica como uma disciplina de infraestrutura de longo prazo, em vez de deixarem o tema para depois, estarão em uma posição bem mais confortável do que aquelas que esperarem o risco se tornar urgente para só então agir. Contabeis.com.br
Com o Brasil entrando oficialmente no grupo de países com computadores quânticos operacionais, o debate sobre segurança pós-quântica deve ganhar espaço crescente entre bancos, fintechs e exchanges de criptomoedas nos próximos meses, à medida que a arquitetura de custódia escolhida hoje se torna, cada vez mais, uma decisão estratégica de longo prazo para o setor financeiro digital brasileiro.
Fontes:
https://cointelegraph.com.br/news/brazils-first-quantum-computershttps://www.spacemoney.com.br/investimentos/criptomoedas/computadores-quanticos-brasil-ameacam-custodia-criptomoedas/https://www.contabeis.com.br/noticias/78462/computacao-quantica-a-ameaca-silenciosa-as-criptomoedas/https://finsidersbrasil.com.br/tecnologia-para-fintechs/bc-estuda-regulacao-para-ia-e-criptografia-quantica/

