Segundo levantamento da Forbes Brasil, captações mais robustas convivem com fintechs que enfrentam dificuldade para atrair capital ou permanecem estagnadas na bolsa
Depois de um período mais contido, o mercado de investimentos em fintechs voltou a mostrar sinais claros de aquecimento em 2026. Segundo cobertura da Forbes Brasil, a onda de aportes ganhou força neste ano, impulsionada por rodadas mais robustas, movimentos de expansão internacional e uma busca mais evidente por rentabilidade, e não apenas por crescimento a qualquer custo. O cenário, porém, está longe de ser uniforme: enquanto algumas fintechs conquistam avaliações bilionárias, outras companhias do setor enfrentam dificuldade para captar recursos ou seguem com desempenho estagnado na bolsa de valores.
Esse contraste ajuda a explicar uma dúvida recorrente entre quem acompanha o ecossistema: por que ainda se fala em “boom” das fintechs se várias delas relatam dificuldades? A resposta está na seletividade dos investidores. Depois do frenesi de captações registrado em 2021, o setor passou por um período de revisão de avaliações, o que gerou incerteza sobre múltiplos aplicados tanto a negócios antigos quanto a novos. Investidores hoje analisam com mais rigor a capacidade de geração de caixa e a solidez do modelo de negócio antes de aportar capital, o que faz com que apenas as fintechs com fundamentos mais claros consigam captar em condições favoráveis.
O apetite por crédito e o público de alta renda
Um exemplo concreto dessa movimentação é a fintech de crédito iCred, que projeta desembolsar R$ 4 bilhões em novas operações no próximo ano, segundo dados citados pela Forbes Brasil. Esse tipo de meta mostra que o crédito digital continua sendo uma das frentes mais atrativas para investidores, especialmente quando associado a modelos de negócio entre empresas, que a reportagem aponta como um dos segmentos que prosperaram mesmo em um ano dominado pelo debate sobre inteligência artificial.
Outra frente de disputa que ganhou destaque é a corrida das instituições financeiras para conquistar o público de alta e altíssima renda, hoje visto como estratégico por bancos e fintechs. Historicamente, esse segmento era dominado por bancos tradicionais e gestoras de patrimônio, mas a entrada de fintechs com propostas de consultoria financeira automatizada, como mostra o caso da americana Wealthfront, citado pela Forbes, sinaliza que esse público também passou a ser alvo de soluções digitais mais sofisticadas no Brasil.
Consolidação, fusões e o avanço para fora do país
O movimento de consolidação também aparece com força neste início de 2026. O portal NeoFeed registrou, por exemplo, a compra da vertical de pagamentos da fintech mineira Paag pela Z.ro Global Payments, parte de um processo de expansão internacional. Esse tipo de aquisição mostra como fintechs brasileiras vêm sendo absorvidas por grupos maiores em busca de escala e presença fora do país, um caminho natural em um mercado que já testou o crescimento apenas orgânico e agora busca eficiência.
Há também exemplos de fintechs brasileiras que decidiram investir na própria expansão para o exterior. Uma companhia do setor inaugurou recentemente um Centro de Missão e Operações na Cidade do México, com o objetivo de fortalecer projetos ligados a agentes de pagamento, segundo reportagem da Forbes Brasil. Esse tipo de movimento reforça que o Brasil deixou de ser apenas um mercado que recebe investimento estrangeiro em fintechs e passou também a exportar modelos de negócio para a América Latina.
Do lado regulatório, o Conselho Monetário Nacional aprovou um projeto complementar que segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, voltado a aperfeiçoar operações de crédito originadas por fintechs, com o objetivo declarado de facilitar o acesso de pequenas e médias empresas a esse tipo de financiamento. Iniciativas como essa tendem a favorecer ainda mais o apetite de investidores por negócios de crédito digital B2B, justamente o segmento apontado pela Forbes como um dos mais resilientes no atual ciclo.
Olhando para o restante de 2026, a tendência é que o mercado continue dividido entre dois grupos: fintechs com modelo de negócio consolidado, que devem seguir atraindo capital em condições favoráveis, e negócios ainda em fase de maturação, que enfrentarão barreira maior para captar em um ambiente de juros elevados e investidores mais exigentes. Para quem acompanha o setor, entender essa divisão é essencial para interpretar corretamente cada nova rodada de investimento anunciada.
Fontes consultadas: Forbes Brasil: https://forbes.com.br/noticias-sobre/fintechs/ NeoFeed: https://neofeed.com.br/noticias-sobre/fintechs/

