Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária e estudo do Google Cloud mostram que IA ainda é usada mais como ferramenta operacional do que como camada de inteligência real
O setor bancário brasileiro deve investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, um avanço de 8% em relação ao ano anterior, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, divulgada em parceria com a Deloitte Brasil. O número consolida um crescimento acumulado de 58% no orçamento de tecnologia dos bancos nos últimos cinco anos, reforçando que a modernização digital deixou de ser um projeto pontual e passou a fazer parte da estratégia permanente das instituições financeiras. Cibersegurança aparece como prioridade máxima, citada por 100% dos bancos consultados, seguida de cloud e inteligência artificial generativa, ambas mencionadas por 84% das instituições.
Apesar do volume de investimento, um estudo do Google Cloud em parceria com a agência R/GA, o FinFacts 2026, revela uma distância importante entre a evolução técnica da inteligência artificial e a experiência que o cliente de fato percebe no dia a dia. O levantamento analisou a jornada digital de 20 instituições financeiras brasileiras, avaliando etapas como abertura de conta, contratação de produtos, atendimento e uso do Open Finance. A conclusão central é que os bancos ainda utilizam IA principalmente como ferramenta operacional, e não como uma camada real de inteligência e personalização voltada ao usuário final.
Da automação para os agentes autônomos
Executivos ouvidos pelo estudo indicam que a próxima etapa dessa evolução deve envolver assistentes financeiros capazes não apenas de responder perguntas, mas de executar tarefas dentro da própria conversa com o cliente, funcionando como agentes dentro da jornada financeira. Esse conceito, batizado por parte do mercado de finanças agênticas, já aparece em relatórios de consultorias como a GFT Technologies, que descreve agentes de inteligência artificial atuando na conciliação de contas, análise de risco, atendimento ao cliente e até na geração de código dentro do ciclo de desenvolvimento de software dos bancos.
Dados citados pelo portal Finsiders Brasil mostram que, entre abril e maio de 2026, agentes de inteligência artificial já movimentaram entre 150 mil e 230 mil transações diárias em processos como atendimento, análise de crédito e prevenção a fraudes. O avanço, no entanto, vem acompanhado de um alerta recorrente entre especialistas: quanto maior a autonomia desses sistemas, maior a necessidade de governança. Modelos precisam ser auditáveis e decisões precisam ser rastreáveis, especialmente em um setor regulado e sensível como o financeiro.
O que essa corrida tecnológica significa para o consumidor final
Para quem usa aplicativos de banco ou de fintech no dia a dia, essa transição tende a se refletir em atendimentos mais rápidos e em recomendações mais personalizadas, ainda que de forma gradual. Um levantamento do MIT NANDA, citado pelo portal Brazil Economy, mostra que mais de 80% das empresas já testaram inteligência artificial generativa, mas apenas uma parcela pequena conseguiu levar essas iniciativas para processos críticos em larga escala, o que confirma que o setor financeiro ainda está em fase de consolidação dessa tecnologia, mesmo entre os mais avançados.
Bancos como Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil já apresentam casos concretos de uso, segundo especial produzido pelo TI Inside. O Banco do Brasil, por exemplo, criou uma iniciativa de dicas personalizadas com IA voltada a mais de sete milhões de clientes pessoa física, com o objetivo declarado de melhorar a educação financeira e o gerenciamento de finanças pessoais dos usuários. Esse tipo de aplicação prática mostra que, embora a experiência ainda não seja perfeita, o uso da inteligência artificial já deixou o campo experimental em boa parte das grandes instituições.
Olhando para frente, especialistas ouvidos pelo Finsiders Brasil apontam que 2026 marca uma transição na relação das pessoas com a tecnologia financeira: o usuário deixa de ser apenas operador de tarefas simples e passa a atuar mais como curador de resultados gerados por sistemas automatizados. Esse movimento deve caminhar junto com o avanço do Open Finance e das novas regras de Banking as a Service, criando um ecossistema em que dados, crédito e inteligência artificial ficam cada vez mais integrados na rotina financeira do brasileiro.
Fontes consultadas: TI Inside: https://tiinside.com.br/01/06/2026/finfacts-2026-expoe-distancia-entre-a-evolucao-da-ia-e-a-experiencia-real-dos-bancos-digitais/ Deloitte Brasil: https://www.deloitte.com/br/pt/Industries/financial-services/research/pesquisa-febraban-tecnologia-bancaria.html Finsiders Brasil: https://finsidersbrasil.com.br/ia/hiperpersonalizacao-e-agentes-de-ia-bancos-precisam-gerar-valor-e-nao-apenas-ofertas/

