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Economia

Fintechs ampliam atuação no crédito e em serviços financeiros digitais; o que muda para o setor

Dmitri Varenko
Dmitri Varenko
agosto 21, 2026
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Resultados recentes de bancos digitais mostram como fintechs estão deixando de atuar apenas em pagamentos para disputar novas áreas financeiras.

Contents
Por que os bancos digitais estão ampliando o portfólio financeiro?O que Pix e Open Finance têm a ver com essa transformação?Qual é o próximo desafio para as fintechs brasileiras?Fontes

O mercado de fintechs brasileiro atravessa uma fase em que escala deixou de ser o único indicador de crescimento. Nos últimos dias, resultados financeiros e novos produtos lançados por instituições digitais reforçaram uma mudança importante no setor: empresas que nasceram associadas a pagamentos, contas digitais e cartões estão ampliando sua atuação para crédito, seguros e investimentos. Um dos exemplos mais recentes é o PagBank, que anunciou em 20 de agosto uma previdência privada totalmente digital, enquanto seus resultados do segundo trimestre mostraram crescimento de clientes, depósitos e carteira de crédito.

A movimentação ajuda a responder uma dúvida relevante para profissionais de fintech: por que bancos digitais estão diversificando cada vez mais seus produtos? A resposta envolve aquisição de clientes, aumento da recorrência, monetização da base existente e competição por diferentes etapas da vida financeira do consumidor. O movimento também ocorre em um ecossistema no qual Pix, Open Finance e infraestrutura regulada pelo Banco Central reduzem barreiras para criar jornadas financeiras mais integradas.

Por que os bancos digitais estão ampliando o portfólio financeiro?

A expansão de produtos financeiros pelas fintechs está diretamente relacionada à busca por maior valor dentro de uma base de clientes que já utiliza aplicativos para pagamentos, transferências e crédito. O PagBank, por exemplo, alcançou 34,1 milhões de clientes no segundo trimestre de 2026, enquanto os depósitos chegaram a R$ 43 bilhões e a carteira de crédito avançou 31%, para R$ 5,1 bilhões. Nesse cenário, lançar previdência privada não representa apenas adicionar mais um produto ao aplicativo: significa tentar ocupar uma etapa diferente da jornada financeira do usuário, incluindo planejamento de longo prazo.

Para o mercado de fintech, essa estratégia revela uma transformação no modelo de negócio. Em vez de depender de uma única fonte de receita, plataformas digitais podem combinar pagamentos, crédito, seguros, investimentos e serviços para empresas, criando relações mais duradouras com clientes. A pesquisa Fintech Deep Dive, produzida pela PwC Brasil em parceria com a ABFintechs, já apontava crédito e meios de pagamento entre os principais segmentos de atuação das fintechs brasileiras, seguidos por bancos digitais e gestão financeira.

A diversificação também aumenta a importância da experiência dentro do aplicativo. Um cliente que consegue movimentar dinheiro, contratar crédito, organizar suas finanças e acessar produtos de proteção ou planejamento sem trocar de plataforma tende a concentrar mais atividades em um mesmo ecossistema. Para o empreendedor fintech, isso muda a lógica de crescimento: conquistar usuários continua importante, mas aumentar a utilidade da plataforma pode ser igualmente estratégico.

O que Pix e Open Finance têm a ver com essa transformação?

A infraestrutura financeira brasileira facilita a criação de jornadas digitais que conectam diferentes instituições e serviços. O Banco Central define o Open Finance como um ambiente no qual o cliente pode levar informações de uma instituição para outra de forma segura e autorizar pagamentos ou transferências via Pix a partir de uma instituição diferente daquela onde mantém sua conta. O consentimento é dado pelo próprio usuário e pode ser cancelado, o que coloca controle e interoperabilidade no centro da arquitetura.

Para fintechs, isso significa que a competição não depende exclusivamente de construir toda a infraestrutura financeira do zero. Dados compartilhados mediante autorização, iniciação de pagamentos e conexões entre instituições podem contribuir para produtos mais personalizados e jornadas com menos etapas. O próprio Banco Central vem ampliando o escopo do Open Finance: a portabilidade de crédito passou a integrar o ecossistema, permitindo que o processo seja realizado de maneira digital, com troca padronizada de informações e prazo reduzido para a modalidade inicialmente contemplada.

Essa evolução ajuda a explicar por que pagamentos e crédito continuam tão relevantes para o ecossistema. O Pix funciona como infraestrutura de movimentação imediata, enquanto o Open Finance cria possibilidades adicionais de integração de dados e serviços. Para o profissional de fintech, a combinação abre espaço para produtos que não sejam apenas digitais na interface, mas também automatizados na operação e mais conectados ao comportamento financeiro autorizado pelo cliente.

Ao mesmo tempo, a expansão exige atenção à segurança, ao consentimento e à regulação. O Banco Central mantém uma relação pública de instituições reguladas e supervisionadas, permitindo verificar se uma empresa está autorizada a funcionar e quais operações pode realizar.

Qual é o próximo desafio para as fintechs brasileiras?

O principal desafio da nova etapa não é simplesmente lançar mais produtos, mas conseguir oferecer serviços financeiros integrados sem transformar o aplicativo em um catálogo confuso. Quanto maior o número de produtos, maior também a necessidade de segmentação, análise de risco, atendimento eficiente, prevenção a fraudes e clareza nas condições oferecidas ao consumidor. Essa questão ganha ainda mais peso em um mercado no qual crédito representa uma parcela importante da atividade das fintechs e no qual instituições digitais passaram a competir diretamente com bancos tradicionais em diferentes frentes.

Os resultados recentes mostram que escala e diversificação caminham juntas. O C6 Bank, por exemplo, registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão no primeiro semestre de 2026, alta de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto sua carteira de crédito expandida alcançou R$ 99,8 bilhões. Ao mesmo tempo, a inadimplência subiu de 3,2% para 3,6%, evidenciando que crescimento de carteira precisa ser acompanhado por gestão de risco e qualidade dos ativos.

Esse equilíbrio será decisivo para a próxima fase do setor. Fintechs precisam combinar tecnologia, eficiência operacional e capacidade de distribuição com governança e controles compatíveis com a escala que alcançaram. A própria agenda da ABFintechs em 2026 colocou temas como Open Finance, inteligência artificial, crédito, Pix, segurança e regulação entre os assuntos centrais para o ecossistema.

Para empreendedores, fornecedores de tecnologia e instituições financeiras, a consequência é clara: o diferencial competitivo tende a migrar cada vez mais da simples digitalização para a capacidade de integrar produtos, dados e pagamentos em jornadas relevantes. Isso também aumenta a importância de parcerias, Banking as a Service e infraestrutura especializada, especialmente para empresas que desejam oferecer serviços financeiros sem construir internamente todas as camadas necessárias.

O consumidor, por sua vez, deve encontrar uma oferta cada vez mais ampla dentro de poucos aplicativos. Para o mercado, isso significa que a próxima disputa entre fintechs será menos sobre quem oferece apenas uma função específica e mais sobre quem consegue construir um ecossistema financeiro confiável, regulado, seguro e realmente útil. O avanço do Pix e do Open Finance fornece a infraestrutura para essa transformação, enquanto a diversificação mostra que a fronteira entre fintech, banco digital e plataforma financeira está cada vez mais estreita.

Fontes

  • Banco Central do Brasil — Open Finance e portabilidade de crédito
  • Banco Central do Brasil — Fintechs
  • Open Finance Brasil
  • Pesquisa Fintech Deep Dive 2024 — PwC Brasil e ABFintechs
  • UOL Economia — PagBank lança previdência privada e amplia oferta de investimentos
  • UOL Economia/Reuters — C6 Bank tem lucro de R$ 1,25 bilhão no 1º semestre
  • Bloomberg Línea — C6 planeja ampliar atuação e reporta resultados de 2026
  • Agência Brasil — Portabilidade de crédito já pode ser feita de forma digital pelo Open Finance
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