Taiza Tosatt Eleoterio, psicanalista com atuação voltada à compreensão do desenvolvimento humano, observa que uma pessoa que ouviu repetidas vezes durante a infância que precisava ser forte para ser aceita pode carregar essa ideia por décadas sem nunca tê-la questionado conscientemente. Anos mais tarde, dificuldades em pedir ajuda ou em expressar vulnerabilidade podem ter, nessa crença antiga, parte de sua origem.
Crenças formadas ao longo da vida funcionam como filtros silenciosos, moldando a forma como emoções e comportamentos se manifestam no presente, muitas vezes sem que a pessoa perceba essa influência com clareza.
Nas próximas linhas, você vai entender como esse processo acontece e por que compreendê-lo contribui para uma leitura mais consciente das próprias reações emocionais.
De que forma a repetição de respostas afeta a formação das crenças emocionais?
As crenças emocionais surgem a partir da repetição de experiências e das interpretações construídas em torno delas. Uma criança que recebe apoio constante ao expressar medo tende a desenvolver a crença de que suas emoções são legítimas e merecem acolhimento. Já uma criança cujas emoções foram frequentemente minimizadas pode construir a crença de que sentir determinadas coisas é inadequado.
Segundo observa Taiza Tosatt Eleoterio, essas crenças não se formam a partir de um único episódio, mas da repetição consistente de determinado tipo de resposta ao longo do tempo. Quanto mais frequente e significativa for essa repetição, mais profundamente a crença se instala na forma como a pessoa interpreta a si mesma e o mundo ao redor.
Figuras de referência durante a infância, como pais, cuidadores e professores, exercem papel central nesse processo, já que suas reações funcionam como espelho para a criança compreender o que é esperado, aceitável ou problemático em relação às próprias emoções.
O impacto das crenças emocionais nas decisões cotidianas
Crenças formadas ao longo da vida influenciam decisões que, à primeira vista, parecem puramente racionais. A escolha de evitar determinada oportunidade profissional, por exemplo, pode estar relacionada a uma crença antiga sobre não merecer reconhecimento, mais do que a uma avaliação objetiva das próprias capacidades.
A partir da perspectiva de Taiza Tosatt Eleoterio, esse tipo de influência costuma passar despercebido justamente por operar de forma inconsciente. A pessoa acredita estar tomando uma decisão baseada em fatores externos, quando, na realidade, uma crença emocional antiga está direcionando parte significativa dessa escolha.
Relações interpessoais também sofrem influência direta dessas crenças. Padrões de desconfiança, dificuldade em aceitar cuidado ou tendência a antecipar rejeição costumam ter raízes em crenças construídas a partir de experiências relacionais anteriores, muitas vezes distantes no tempo, mas ainda ativas no presente.
De que maneira a flexibilidade das crenças pode impactar sua vida cotidiana?
Nem toda crença construída ao longo da vida representa um obstáculo. Algumas fortalecem a capacidade da pessoa de enfrentar desafios, como a crença de que é possível aprender com erros ou de que relações de confiança podem ser construídas ao longo do tempo. Outras, no entanto, funcionam como limitações silenciosas ao desenvolvimento emocional.
Na avaliação de Taiza Tosatt Eleoterio, a diferença entre esses dois tipos de crença está, muitas vezes, na flexibilidade que oferecem. Crenças que fortalecem tendem a admitir exceções e nuances, enquanto crenças limitantes costumam se apresentar de forma rígida e generalizada, aplicando-se a praticamente todas as situações vividas.
Identificar quais crenças estão sustentando determinado comportamento repetitivo é um passo relevante para compreender por que certos padrões, mesmo reconhecidos como prejudiciais, continuam se repetindo ao longo da vida.
Revisitando crenças antigas com um novo olhar
O processo de revisitar crenças construídas ao longo da vida não significa negar a experiência que as originou, mas compreender que essa experiência pertence a um contexto específico, que pode não corresponder mais à realidade presente. Essa distinção permite que a pessoa reavalie, com mais liberdade, quais crenças ainda fazem sentido em sua trajetória atual.
Taiza Tosatt Eleoterio sustenta que esse trabalho de revisão costuma ser mais produtivo quando conduzido com apoio especializado, já que crenças profundamente arraigadas nem sempre são acessíveis à reflexão isolada. O espaço terapêutico oferece a possibilidade de investigar a origem dessas crenças e compreender de que forma elas seguem influenciando emoções e comportamentos no presente.
Ampliar a consciência sobre as próprias crenças emocionais representa um passo importante para relações mais autênticas consigo mesmo e com o outro, construídas a partir de escolhas conscientes, e não apenas de repetições automáticas do passado.

