A transformação digital no setor público vem impactando diretamente a forma como as licitações são planejadas, analisadas e executadas. O empresário Eduardo Campos Sigiliao explica que com o aumento do volume de dados, a ampliação dos mecanismos de controle e a digitalização dos processos trouxeram novos desafios para empresas e profissionais do Direito que atuam nesse mercado. Nesse contexto, a inteligência artificial deixou de ser um conceito abstrato para se tornar uma ferramenta concreta de apoio à tomada de decisão.
Para a advocacia em licitações, esse cenário exige uma mudança de postura. O foco deixa de estar apenas na resposta a conflitos já instaurados e passa a envolver planejamento jurídico, análise preventiva de riscos e organização estratégica das informações. A inteligência artificial, quando utilizada de forma responsável, passa a integrar esse novo modelo de atuação jurídica.
Neste artigo trabalharemos um pouco sobre como a inteligência artificial pode ser integrada no dia a dia extenso do licitante e fornecedor. Acompanhe a seguir!
Como a inteligência artificial está sendo incorporada ao mercado de licitações?
A incorporação da inteligência artificial no mercado de licitações ocorre, principalmente, por meio da automação de análises e do cruzamento de grandes volumes de dados. Ferramentas capazes de identificar padrões em editais, contratos e históricos de contratações vêm sendo utilizadas tanto pela administração pública quanto por órgãos de controle, ampliando a capacidade de fiscalização e prevenção de irregularidades.
Esse movimento impacta diretamente os particulares que participam de licitações. Isso principalmente tendo em vista que, como alude Eduardo Campos Sigiliao, a análise automatizada torna mais fácil a identificação de inconsistências, falhas documentais e cláusulas problemáticas. Diante disso, a advocacia precisa compreender como essas tecnologias funcionam e de que forma influenciam o ambiente jurídico das contratações públicas.
Qual é o papel do advogado diante do uso de tecnologia e dados nas licitações?
Eduardo Campos Sigiliao demonstra que o papel do advogado não é substituir sua análise jurídica por sistemas automatizados, mas integrar a tecnologia ao raciocínio jurídico. A inteligência artificial pode auxiliar na organização de informações, na triagem de editais e na identificação preliminar de riscos, permitindo que o profissional concentre sua atuação em questões interpretativas e estratégicas.

Essa integração fortalece o planejamento jurídico. Com apoio tecnológico, o advogado consegue avaliar cenários com maior antecedência, identificar padrões de exigências e orientar decisões mais seguras. Trata-se de um avanço na forma de exercer a advocacia, sem abdicar da análise crítica e da responsabilidade técnica.
De que forma a IA contribui para a análise preventiva de editais e contratos?
Na análise preventiva, a inteligência artificial pode atuar como ferramenta de apoio à leitura técnica dos editais e minutas contratuais. Sistemas de busca e comparação permitem identificar cláusulas atípicas, exigências desproporcionais ou divergências em relação a padrões normativos, facilitando o trabalho inicial de diagnóstico jurídico.
Essa atuação não elimina a necessidade de interpretação jurídica, informa Eduardo Campos Sigiliao, mas amplia a capacidade de identificação de riscos antes da participação no certame. Com isso, a advocacia preventiva ganha eficiência, reduzindo a probabilidade de impugnações, recursos e conflitos decorrentes de falhas não detectadas previamente.
Quais são os limites jurídicos e éticos do uso da inteligência artificial?
Apesar das vantagens, o uso da inteligência artificial no contexto jurídico exige cautela. Questões relacionadas à transparência, à proteção de dados e à responsabilidade pelas decisões permanecem sob a ótica do profissional do Direito. A tecnologia não substitui o dever de análise, nem afasta a necessidade de fundamentação jurídica adequada.
Além disso, a utilização indiscriminada de ferramentas automatizadas pode gerar dependência excessiva e interpretações equivocadas. Por isso, Eduardo Campos Sigiliao evidência que cabe ao advogado compreender os limites da tecnologia, utilizando-a como instrumento de apoio, e não como fonte exclusiva de decisões jurídicas.
Como integrar inteligência artificial ao planejamento jurídico nas licitações?
A integração eficiente da inteligência artificial ao planejamento jurídico começa pela definição clara de objetivos. O uso da tecnologia deve estar alinhado à estratégia da empresa e às exigências legais do certame, servindo como apoio à análise de riscos, à organização documental e ao acompanhamento das fases da licitação, resume Eduardo Campos Sigiliao.
O futuro da advocacia em licitações aponta para uma atuação cada vez mais preventiva, analítica e orientada por dados. Nesse cenário, a inteligência artificial tende a se consolidar como aliada do planejamento jurídico, ampliando a eficiência e reforçando a segurança jurídica. O diferencial continuará sendo a capacidade do advogado de interpretar a lei, antecipar riscos e conduzir decisões com responsabilidade técnica.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

